Empreendedorismo se aprende – também na escola!

Alguns dos debates que cercam as iniciativas para desenvolver em uma pessoa a habilidade e
o desejo de criar seu próprio negócio estão diretamente relacionados a duas lógicas
fundamentais: (1) a eficácia de programas de educação empreendedora e (2) a idade em que a
educação formal deve se envolver com o processo de maneira ativa. Entre as duas lógicas, a
pergunta corriqueira: Empreendedorismo é uma predisposição, um “dom” passado de
geração em geração, ou é possível estimular alguém que nunca considerou a
possibilidade para a sua trajetória pessoal e profissional?

Está cada vez mais claro para pesquisadores e formuladores de políticas públicas que o
assunto é multifacetado e exige um olhar abrangente. A Organização para a Cooperação e
Desenvolvimento Econômico (OCDE) criou em 2007 um modelo de avaliação da atividade
empreendedora que inclui 6 determinantes, alguns deles bastante conhecidos de quem já é
proprietário do seu negócio: ambiente regulatório, condições de mercado, pesquisa e
desenvolvimento (inovação) e acesso a capital
. A novidade do Entrepreneurship Indicators
Programme
(EIP) é a inclusão das variáveis cultura e educação como fundamentais para o
estímulo a uma nova geração de empreendedores.

O objetivo de programas de educação empreendedora para crianças e jovens visa, em geral,
responder de uma vez só aos desafios relacionados a esses dois determinantes: transformar o
empreendedorismo em uma alternativa reconhecida e desejada de carreira por futuros
profissionais e capacitá-los, com ferramentas de planejamento, gestão e liderança, para os
obstáculos práticos que este futuro empreendedor terá pela frente. No entanto, é preciso, no
caso da educação infantil e fundamental, relativizar o entendimento sobre as competências
empreendedoras mais técnicas e compreendê-las como habilidades básicas para um adulto no
desenrolar de sua carreira – o objetivo não deve ser formar mini-executivos, mas pessoas com
uma visão ampla do processo empreendedor.

Neste sentido, o incentivo de uma cultura empreendedora ainda na escola ganha em
importância pois é ali e no ambiente familiar que é forjado o perfil do profissional que entrará no
mercado dentro de alguns anos. A escola ganha um papel central em mostrar que o
empreendedorismo é um caminho alternativo para quem quer sonha grande e deseja
transformar sua visão pessoal em uma realidade profissional bem-sucedida, que gere impacto
não apenas para si, mas para toda a sociedade. Mais do que apenas inspirar, a prática dentro
e fora da sala de aula, a realização de feiras de mini-empresas e o contato com
empreendedores leva aos alunos o conhecimento necessário para as primeiras jornadas
empreendedoras, que não precisam começar na vida adulta. Apenas como paralelo, a cultura
da “barraca de limonada” entre crianças nos Estados Unidos diz muito sobre a predisposição
para empreender de sua população.

A pedagogia empreendedora, que tem em Fernando Dolabela um de seus pioneiros e em
organizações internacionais como a Junior Achievement uma atuação bastante consistente em
nosso país, tem ganhado força graças ao trabalho de governos locais de norte a sul do país,
como São José dos Campos (SP), Santa Rita do Sapucaí (MG), Redenção (PA) e outras 120
cidades que incluiram programas de capacitação empreendedora para jovens e crianças como
parte da sua formação. O impacto destas iniciativas ainda está para ser medido, mas há claros
indícios de que novos protagonistas estão em desenvolvimento e que, no futuro próximo,
poderão multiplicar seu impacto com suas empresas e carreiras.

Juliano Seabra – Diretor de Educação e Pesquisa



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